Diversas manifestações culturais se fortaleceram durante o período de distanciamento social. Tais atividades criativas acabaram tornando-se alicerce para a manutenção da saúde mental na situação de solidão coletiva.
Para abordar a temática, o Sesc Sergipe realizou o seminário 'Expressões da Pandemia: a arte como rito de passagem', no período de 2 a 5 de agosto, no Hotel Sesc Atalaia.
“A cultura nos ajudou no momento mais difícil da pandemia. A arte nos fez sorrir, reviver e tomou conta de nós através das telinhas dos celulares e das lives. Nós nos refugiamos na cultura criativa que nos fez pensar, que nos envolveu e acolheu, e o Sesc fez parte disso”, destacou Aparecida Farias, diretora regional do Sesc Sergipe.
Para o presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac, Marcos Andrade, o incentivo à cultura é missão da instituição. “Mesmo com a crise pandêmica o Sesc não parou, ele incentivou a música local através de lives, inclusive recolhendo alimentos para distribuir entre os mais necessitados. Além disso, é constante o incentivo ao cinema local, as artes cênicas, a dança e ao folclore. O Sesc trabalha com tudo isso e faz, diga-se de passagem, com excelência!”, elogiou.
A abertura do evento reuniu escritores e pesquisadores sergipanos e de reconhecimento nacional. “Nós estamos retomando esse grande encontro através do Laboratório de Artes das Juventudes, convidando inúmeros escritores, escritoras, articuladoras literárias, artistas visuais, músicos, para dialogarmos sobre as expressões da pandemia e como nós, sociedade, humanidade, nos inserimos nesse contexto”, informou Rita Simone, coordenadora de Cultura do Sesc Sergipe.
Programação diversificada
A primeira noite do seminário foi embalada pelos Monitores do Projeto Lajes, do município de Indiaroba, performances poética de Wilton de Jesus e teatral de José Rodrigues Júnior e Eduardo Freitas.
A palestra inicial ‘Linguagem como resistência: literatura e estranhamento’ foi ministrada pela escritora e pesquisadora, Noemi Jaffe. “A literatura representa vidas, ela é concreta. São pessoas cuja a vida você está lendo, com quem você está se identificando, chorando, rindo, sentindo medo e prazer. Isso faz com que você adquira uma capacidade maior de compreensão e de tolerância para que você tenha um espírito mais democrático em relação a quem é diferente de você”, disse.
O escritor e pesquisador, Euler Lopes, destacou que o Sesc tem um forte programa de incentivo a arte em Sergipe. “Durante a pandemia eu tive a oportunidade de ministrar cursos de escrita pelo Sesc Sergipe e percebi como isso foi muito importante fazer com que as pessoas fazer com que as pessoas tivessem um espaço de escrita independente de as pessoas serem escritoras ou não. Eu acho que o papel que o Sesc cumpre e exatamente permitir e entender que é necessário ter um espaço para as pessoas saibam que a escrita também é um direito”, comentou.
A programação do evento incluiu palestras, rodas de conversa, exibição de filmes e oficinas sobre literatura, cinema, música, artes visuais e cênicas. “Nós ficamos enclausurados, mas não ficamos parados. Nós produzimos, nós vimos surgir produções muito bonitas, muito potentes, que já sinalizam algumas mudanças no horizonte da cultura no mundo inteiro”, analisou o pesquisador Sandro Cajé.
Na Estação de Autógrafos, escritores e poetas se aproximaram do público e expuseram o resultado das suas expressões artísticas produzidas durante a pandemia. “Logo no começo de 2020 eu já estava com a ideia do livro fervilhando dentro de mim e ele foi escrito dentro do período de isolamento”, disse a poeta e pesquisadora, Débora Arruda.
O público também foi presenteado com o Show Ikê Maré, de Julico e Banda.






