No dia 30 de janeiro é comemorado o Dia Nacional da História em Quadrinhos. A data faz referência a publicação da primeira HQ brasileira – “As aventuras de Nhô-Quim” ou “Impressões de uma viagem à corte” – divulgada em 30 de janeiro de 1869 na revista Vida Fluminense, de autoria do cartunista Angêlo Agostini, italiano radicado no Brasil.
Conhecida como a nona arte, os quadrinhos agradam uma larga e diversa audiência pela dinamicidade da narrativa gráfico-visual. Muitos dos personagens deste formato literário, inclusive, fazem parte do imaginário coletivo e da memória afetiva de muitos brasileiros. Quem não se lembra das aventuras da Turma da Mônica? E das missões dos heróis da Marvel e DC Comics? E as traquinagens do Menino Maluquinho?
O designer Gráfico Jorge Coelho não lembra de uma época em que os quadrinhos não fizeram parte da sua vida. Por influência do seu irmão, Alberto Coelho, histórias como Conan, Turma da Mônica e Liga da Justiça o acompanharam durante os deleites da infância e questionamentos da adolescência.
Através das páginas dessas histórias, Jorge encontrou sua paixão pelo desenho, o que acabou influenciando inclusive na sua escolha profissional. Hoje, ele trabalha como designer gráfico e ilustrador. Os quadrinhos ainda são uma grande influência na sua vida, sendo Marvels, Reino do Amanhã e Samurai X algumas das suas referências atuais, junto com artistas como Frank Frazetta, Alfredo Alcala, Alex Ross, Jana Schirmer, Karla Ortiz e Laurel D. Austin.
“Os quadrinhos ainda são vistos como literatura infantil, rasa, mas existem muitas obras que apresentam uma grande variedade de temas e estilos artísticos. Recomendo a leitura de HQs para todas as idades e nichos sociais. Têm conteúdo para todos os gostos”, declarou o designer.

Sesc e Quadrinhos
Para o Departamento Nacional do Sesc, através da sua Política Cultural, a instituição tem como desafio a proposição de difundir as linguagens artísticas e promover o acesso à informação e à produção do conhecimento, proporcionando um lugar necessário à atividade sensível. Uma ação orientada pelo objetivo de ampliar as possibilidades experienciais, proporcionar novas oportunidades de proveito e de criação. Como fundamento do diálogo entre o Sesc e a sociedade está o objetivo de respeitar, fomentar e difundir a diversidade cultural brasileira, expressa tanto na produção artística, quanto na produção intelectual e nas demais manifestações da expressão cultural.
Dentro dessa missão, o Sesc tem como prioridade disseminar todos os tipos de literatura, incluindo as histórias em quadrinhos que, para muitos, acaba sendo um formato mais acessível e ajuda a fomentar o hábito da leitura.
A coordenadora de Cultura do Sesc Sergipe, Rita Simone, defende que a leitura de HQs, desde que bem orientada, possibilita a ampliação de repertórios e contribui no processo de alfabetização.
“Para o Sesc em Sergipe, as histórias em quadrinhos são relevantes para o trabalho em torno do incentivo ao hábito de leitura e literatura. Buscamos, sobretudo, proporcionar o contato de crianças e jovens com diversas fontes de informação, suportes e estruturas de argumentação. Nos quadrinhos, os desenhos desaguam nas características do pensamento infantil o que, em boa medida, poderia explicar o interesse das crianças pelas HQs, como afirmam especialistas no assunto”, declarou a coordenadora.

As bibliotecas do Sesc em Sergipe possuem um grande acervo de quadrinhos para os leitores. Na sede do Sesc Centro, por exemplo, estão disponíveis para o público 200 exemplares deste gênero.
Em 2019, o Sesc Sergipe realizou mensalmente ações envolvendo HQs, a exemplo de: visitas monitoradas com alunos, campanhas de troca de gibis nas bibliotecas, premiações pela participação do aluno (leitor do semestre) e rodas de leitura com mediação.